Visita a um asilo

 

 

Visitando um asilo querendo um pouco entender


Talvez procurando dar sentido para minha vida


Conversei com idosos ouvindo cada um com seu viver


Criaturas, guerreiros como triunfo, batalha vencida.

 

 

Sentada no gramado estava Tereza


Senhora já com memória amortizada


Ao conseguir transpor seus noventa anos


Sorria, balançava , por vezes acarinhava


Nos seus braços se encontrava uma boneca de pano.

 

 

Perguntei o porquê daquela façanha


Ela logo foi me dizendo toda risonha 


Essa é a minha filha que não para de chorar


Estou aqui com meu afeto tentando acalentar.

 

 

Um senhor sentado numa cadeira


Seu olhar me chamou atenção


Seus olhos já não brilhavam, fitava o nada


Perdido no vazio, vagava na imensidão.

 

 

Fui logo sentando a seu lado fiquei a esperar


Ele fez quem notou ou então não percebeu


Limitei somente o silencio acompanhar


Mas no meu silencio logo ele respondeu.

 

 

Menina olhe para aquela direção


Deixe seus olhos acompanharem os meus


Estou tentando lembrar do meu distante passado


Não consigo, somente o espaço branco foi que restou


Procuro entender porque por meus filhos fui abandonado


Eu fui um pai que tanto sofreu, lutou e que tanto os amou.

 

 

Fui saindo de mansinho sem nada dizer


Fui entrando em um quarto para outra conhecer


Estava tranqüila adormecida em sua cama


Seu rosto era de quem estava sonhando


Tive a certeza que um sonho bom seria.


Porque naquele rosto adormecido


Seus lábios de vez enquanto sorria.

 

 

Outros, vários idosos ali estavam


Alguns em suas mãos traziam fotografias


E eu concentrada a esse viver abstrato


E como em um filme a vida deles eu via


Em cada rosto ou em cada olhar


A perversidade desse mundo ingrato.

 

 

Tantos sonhos foram roubados


Quanta dor, quanta saudade


Quantas lembranças de um passado


Que castiga nossos idosos sem piedade.

 

 

Tantos lamentos eu ouvi


A Todos com atenção escutei


Depois meus passos eu segui


Com coração fragilizado fiquei

 


Mas espero que tudo que pude relatar


Você pare um pouco para pensar


Que nesse estágio da vida


Um dia você também vai chegar.

 

 

Alzira Souza (Mendi)

 

 

Parte integrante do site http://www.mendidesigner.com.br

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